“O Natal com filhos é mágico”. Sim, sim. | Universo do Bebé

No ano em que nasceu a minha filha, ao mesmo tempo que começavam a aparecer as primeiras decorações de Natal nas lojas, comecei também a ouvir: “ahh, o primeiro Natal com a Carminho, vai ser mágico!”. Com a aproximação das festas e ainda sem espírito natalício, não sentia nada de especial e assumi que chegaria em cima da hora. Mas quando chegou a véspera de Natal não havia nada de mágico, foi um inferno!

Vá, não me interpretem mal. Não é que eu preferisse que a minha filha não existisse ou que o Natal do ano passado tenha sido uma desgraça, mas também não sei onde as pessoas viram essa magia de que falam. Talvez eu veja nas fotos de Natal daqui a uns anos, já desmemoriada do stress que foram os dias de festas. Mas vai fazer um ano e ainda me lembro!

1. Sozinha com ela, queria fazer os embrulhos que ficaram para o fim e tinha a criança eléctrica a mexer em tudo: papel rasgado, tesouras em perigo, fita-cola estragada, uma missão impossível.

2. No dia 24 de Dezembro, banhos. Tínhamos de nos arranjar nós, adultos, mais a criança.

3. Queríamos organizar-nos para sair. Éramos um Pai Natal cheios de sacos de presentes, sobremesas para levar e uma criança a chorar histérica de sono (quase a pedir para ficar sem presentes).

4. Saímos com todos os sacos, mas faltava o carrinho, o ovo, o saco das fraldas, a muda de roupa, embalar a comida da criança porque íamos estar fora o dia inteiro, “cuidado, não partas as garrafas de vinho”, “olha que entornas as ervilhas”, “oooolha a mousse!”, a lista de tarefas não acabava.

5. Quando chegávamos às festas queríamos finalmente socializar e comer, comer, comer. Como se não houvesse dia seguinte. Mas era preciso ter atenção às esquinas das mesas, às tomadas de electricidade, às escadas e todos os perigos à espreita nas casas dos que já não têm crianças. Assim, as conversas que podiam ser animadas eram constantemente interrompidas por um “CUIDADO!” e “NÃO MEXAS AÍ!”. Em modo repetitivo e às vezes de boca cheia.

6. Havia xixis e cocós para mudar. Várias vezes. Demasiadas vezes.

7. Pai e mãe não fizeram as refeições ao mesmo tempo, revezavam-se para ter a criança debaixo de olho na liberdade que a menina exigia: “não me agarrem, deixem-me livre e rastejante!”. Alguém tinha de limpar o chão.

8. Nos momentos em que era a “minha vez” de ter um tempo de sossego, morria de ansiedade. O pai também queria socializar, é menos concentrado do que eu, perdendo a atenção algures na estratosfera e eu ia sofrendo pequenos enfartes. Mais uma distracção, mais um galo na cabeça, mais um argumento “faz parte!”. Para o pai tudo faz parte, até a cabeça aberta.

9. Deitámo-nos a altas horas da noite com a sensação de termos sido atropelados, mas os primos tinham dado speeds à criança que não estava minimamente interessada em dormir.

10. Repetimos no dia seguinte, o dia 25 de Dezembro.

O ano passado o Natal foi de facto mágico: comi menos que o habitual e nem engordei, não tive tempo. Não há maior magia que esta. 
Vamos ver o que nos reserva este segundo Natal da cria que já não gatinha, já caminha e (felicidade), não precisa de refeições à parte. Vai rasgar os embrulhos de outras pessoas, já estou a ver.