O drama da chucha | Universo do Bebé

Escrevi “drama” no título, mas o drama não é meu, estou tranquila.

Quando a minha filha nasceu mal usava a chucha. Acalmava na hora de dormir, adormecia e largava a chucha no berço. Já teve fases em que usou mais ou menos chucha, mas nunca a senti dependente e hoje em dia usa quando precisa de consolo ou quando vai dormir.
Pesquisei literatura e não há um consenso: há pediatras que aconselham a deixar a chucha por volta dos 6 meses, outros por volta dos dois anos e de noite até aos três. Eu ainda nem tinha chegado à altura de pensar na questão da chucha e já ouvia frases reprovadoras dirigidas à criança: “de chucha?!”. Isto incomoda-me.

Conheço casos de crianças que não aderiram à chucha e preferiram o polegar. Isto é inato, acontece pouco depois de nascerem, seja o polegar ou uma chucha que é dada pelos pais. O conceito é comparado a uma maminha, logo, à mãe. Não é por acaso que chucha em inglês se chama de pacifier. 

Nesse aspecto as opiniões parecem ser unânimes, o acto de chuchar leva tranquilidade e um sentimento de segurança do bebé. Durante meses um bebé é motivado a usar a chucha, consola-se com a chucha e de um dia para o outro alguns adultos referem-se à chucha como sendo uma vergonha, algo a evitar, um demónio. Isto não me faz sentido nenhum, não acredito que seja percebido por uma criança e não quero ter de lidar com esse cenário tão pouco lógico. 

Como e quando vou fazer o desmame da chucha? Não faço ideia, vou seguindo a minha intuição. Sou adepta do diálogo e da redução gradual da chucha. Ainda não vejo que seja um assunto que possa falar e que a minha filha entenda, mas a chucha que antes estava à mão passou a estar em cima da cómoda durante o dia. Nunca se lembra dela e é-lhe entregue nas alturas em que sentimos que é benéfico para a sua calma, o que acontece num momento de choro ou na altura de ir dormir. 

Estratégias como desaparecer com a chucha de um dia para o outro com o consolo dirigido aos pais: “são só umas noites de choro, depois passa”, não vão acontecer em minha casa. Crianças ou adultos, todos temos ansiedade de separação por uma peça que perdemos ou algo de que gostamos e deixamos de ter: persegue-nos, não nos sai da cabeça. Vamos provocar um sofrimento desses a uma criança tão pequena, exactamente em nome do quê?

Creio que a minha estratégia passará por conversar que chegou a altura de dar a chucha a outro bebé, quando tiver capacidade para compreender. A ideia de colocar no lixo algo que lhe é querido também não faz sentido nenhum, não colocamos objectos com valor sentimental no lixo. O que é que isso ensina? É muito mais bonito cultivar um gesto de partilha, de generosidade, explicar que há outros bebés que precisam de chucha, fazendo-a acreditar que já tem auto-confiança e não precisa da chucha como antes precisava, oferecendo-a então a quem precisa.

Outra ideia que tirei de uma revista foi a de usar uma cama de bonecas. Na hora de dormir, levá-la a deitar também a chucha numa cama de brincar, num ritual de algumas noites, com o controle dela. Pode ser uma ideia que pegue.

No que depender de mim, a minha filha larga a chucha quando tiver capacidade para compreender e confiança emocional para o fazer. E sem pressa, não posso esperar que a minha filha tenha desenvolvido uma relação com a chucha desde que nasceu e esperar que se livre dela de um dia para o outro. O chato é ter de explicar isto a outros adultos.