"Não se mexe no pipi!" | Universo do Bebé

No Facebook faço parte de um grupo que reúne várias mulheres que fizeram um workshop de saúde feminina: aprendemos sobre sexualidade, a interpretar o corpo e de várias coisas que aprendi, uma delas foi como deixar de tomar a pílula e saber quando posso ou não engravidar. É um grupo de partilha de que gosto muito, onde se aprende e onde se podem colocar questões entre pessoas civilizadas.

A minha filha tem quase dois anos e na muda da fralda percebo várias vezes que tenta tocar nos genitais. Mas não posso permitir naquele momento, estou a mudar uma fralda, está suja de urina ou fezes. Dei por mim várias vezes a tirar-lhe a mão e a dizer "não mexe!", sempre com a sensação de estar a transmitir uma mensagem errada. Também uma vez ouvi o pai dizer-lhe enquanto lhe mudava a fralda "não se mexe no pipi!". Pedi-lhe que arranjasse outra forma de dizer a mesma coisa, explicando que "tem cocó/xixi", de forma a não contribuir para a percepção de poder tratar-se de uma parte de corpo proibida.

Os tempos são outros, tenho dúvidas de que no tempo em que eu usava fraldas este fosse um tema em que os pais pensassem. Não creio que frases como “não se mexe no pipi!” tenham traumatizado alguém, mas eu queria mesmo que a minha filha fizesse parte de uma geração em que a sexualidade fosse um assunto natural e sem tabus, encarado com confiança e conhecimentos. E acredito que de pequenino se torce o pepino.

A verdade é que tenho pensado nisto: não quero transmitir a ideia de que é errado tocar no corpo. Mas também não quero promover que o pode fazer em qualquer altura. O que fariam outras mães que tivessem a minha forma de pensar? Como transmitiriam a mensagem? Seria uma estupidez da minha parte pensar nisto? Talvez fosse cedo para este tipo de dúvidas, mas também não me fazia sentido ter hoje uma conduta e dentro de uns anos ter uma reacção diferente. Coloquei a questão no tal grupo de Facebook, fui bem recebida e deram-me ideias que coloquei em prática.

O "não mexe" passou a ser substituído por um "ainda não, a mãe está a limpar o rabo". Uma vez limpa posso com naturalidade dizer “já podes”, deixá-la explorar e dizer “agora vamos pôr a fralda”, depois de lhe dar um tempo. Depois lavamos as mãos. 
Isto pode parecer a mesma coisa que fazia antes, mas está longe de o ser. Desta forma estou a transmitir que o problema para tocar está na existência de excrementos e que existe um tempo de espera para poder tocar nos genitais e não uma proibição taxativa. Existe uma justificação, a permissão posterior vai fazer com que satisfaça a sua curiosidade e, provavelmente, com o tempo vai perder essa mesma curiosidade.

Uma das contribuições foi um excelente exemplo desta fase: um rapaz ao largar as fraldas passou os primeiros dias com a mão no pénis. Os pais não ligaram, não proibiram, entenderam como uma “novidade” que antes estava sempre tapada. Os dias passaram, o rapaz esqueceu e deixou de passar os dias com a mão dentro das cuecas.

E por aí, têm este tipo de preocupações e pensamentos?