Gravidez jovem | Universo do Bebé

Disclaimer: este post pode ser considerado um post anti-natalidade.

Pais têm amigos, amigos têm uma filha de 23 anos, filha anunciou que está grávida.

Não posso dizer que a conheço bem, temos uma grande diferença de idades, mas os pais dela são como tios para mim. Ela estudou, começou a trabalhar, foi viver com o namorado de sempre e um ano depois e anunciou a boa nova, está grávida.

Quando eu soube tive o pensamento: “que horror, estragou a vida!”.

Não me interpretem mal, não sou da opinião de que ela não deveria estar feliz. Mas toda a disponibilidade física e mental a que obriga a chegada de filhos, não recomendaria a alguém que está a iniciar a vida adulta, a alguém que ainda agora começou a ter independência financeira, a alguém que vive com o namorado há um ano, a alguém que tem tanta vida pela frente e com tantas possibilidades para a gozar.

Neste registo, tive um baptizado há uns tempos. Na festa, o bebé com um par de meses chorava aos gritos, aqueles gritos ensurdecedores que entram no cérebro em espiral de loucura. Olhei para o meu marido e quase de sorriso trocista perguntei: “tens saudades?”. Respondeu um sonoro “não!”, sem qualquer hesitação.

Obviamente não somos todos iguais. Para nós já ter passado a fase de recém-nascido é um alívio, outras pessoas adoram esta fase (é um mistério para mim como). Mas penso em mim com 23 anos, uma vida pela frente, tanto que fiz, tantas experiências, livre, dona do meu nariz, um filho torna um percurso de vida totalmente diferente. E honestamente, se fosse comigo não teria sido para melhor.

Se calhar a ingenuidade levou a estes planos de ter bebé que se imaginam românticos. Ou se calhar o problema está em mim e vejo uma gravidez jovem como um desperdício. Mesmo pensando na minha mãe que noutro tempo casou cedo e me teve aos 21 anos, sinto que perdeu muita coisa.

Tive a minha filha quando muitos consideram tarde, aos 38 anos. Mas o que é tarde para uns, para mim até poderia ter sido ainda mais tarde. No meu caso foi uma decisão também provocada pela pressão da idade. Adoro a minha filha, mas tenho perfeita noção de que muitas vezes é uma prisão para viver ou trabalhar, o que vou contornando com ajudas da família. Se a tivesse tido mais cedo, tenho a certeza absoluta que nunca teria tido coragem de criar os meus negócios, trabalharia por conta de outrem, teria uma rotina de horários, os dias seriam praticamente iguais.

Pelo que sei a grávida está feliz e ainda bem. Abstenho-me de lhe fazer qualquer comentário, não é da minha conta. Mas imaginando-me no lugar dela com 23 anos, não consigo deixar de sentir que é estar a estragar anos de vida que podiam ser tão bons. Não é que agora passem a ser horríveis, mas não vai ser a mesma coisa e até as oportunidades podem faltar porque outra obrigação impera. Não me arrependo nada de ter optado por ser mãe “tarde”.