O irmão mais velho na chegada de um bebé | Universo do Bebé

Ao longo da vida, sempre ouvi falar de casos em que os irmãos mais velhos sofrem autênticos ataques de ciúmes quando nasce um mano. Supostamente, quando a diferença de idades é muito pequena (menos de 1 ou 2 anos, presumo eu…), o impacto do novo rebento nos ciúmes do mais velho, é praticamente inexistente…

Deduzo também que, quando a diferença é muito grande (imagino que a partir dos 5 anos), o impacto seja já também bastante reduzido, até porque com essa idade, como todos sabemos, os mais velhos já estão completamente “noutra” e pouco lhes importa se um bebé lhes vem roubar o estatuto... Com isto, sobra um intervalo crítico de mais ou menos 3 anos em que, supostamente o risco de uma reação menos positiva à chegada de um novo elemento, é de facto maior.

Adivinhem lá então, quando é que eu decido ter um 2º filho?! Bem em cheio, no meio desse intervalo!

É certo que a vida não é sempre como desejamos e que muitas vezes os nossos planos saem furados, mas é com precisamente 4 anos (mais do que aqueles que eu gostaria) que a pequena vai ter nos braços o seu primeiro mano mais novo.

Confesso que quando tomei conhecimento da tão esperada notícia, umas das coisas em que rapidamente pensei, foi precisamente a questão dos ciúmes… Irá a pequena aceitar bem a chegada do novo rebento? Deverei preocupar-me seriamente? O que posso fazer para evitar tal situação? Estas são apenas algumas das muitas dúvidas que a nova gravidez trouxe e para ser totalmente sincero, até porque à data que escrevo isto o pequeno ainda não nasceu, ainda não sei dar-lhes resposta.

Claro que a grande notícia trouxe uma enorme alegria também para a mana mais velha… Já há algum tempo que falávamos de um futuro bebé e sempre a incluímos na decisão. Afinal de contas, esse bebé não iria entrar só nas nossas vidas, mas sim na de todos… Aqui em casa, sempre funcionou assim. Todos dão a sua opinião, independentemente da idade! Se vamos para aqui ou para ali, se fazemos isto ou aquilo, enfim, todos opinam e no final decidimos todos em conjunto (ok, confesso que os votos dos papás valem mais...). Por isso, a vinda de um bebé não poderia ser de outra forma.

Como é obvio, a pequena adorou a ideia de um mano(a) desde o primeiro dia! Acho que neste aspecto, sai à mãe. Sempre teve um jeitinho nato para cuidar dos outros, para tomar conta dos bonecos, etc… É impressionante a sensibilidade dela para essas coisas… e tudo de uma forma extremamente natural, sem qualquer ensinamento ou motivação da nossa parte. A Dita é assim mesmo… tal como a mãe, nasceu para cuidar!

Isso acaba por tranquilizar-me um pouco quando penso na reação que terá quando o seu tão esperado mano nascer, porém, uma coisa é agora que tudo é só na teoria, em que se quiser largar tudo a meio, não há problemas nem consequências a sofrer. A ver vamos quando for um bebé a sério… Se por um lado esta personalidade de cuidadora me tranquiliza, por outro levanta-me mais uma preocupação. A meu ver, pais de crianças assim, podem tender a “aproveitar” esse par de mãos extra, para aliviar o seu trabalho com o novo rebento. Para mim, não há nada de mal em deixar os mais velhos envolverem-se, mas isso tem de ser feito sempre sem qualquer obrigatoriedade ou compromisso. Os manos mais velhos, são também crianças e, portanto, devem viver a vida como tal. Sem responsabilidades maiores, sem preocupações, etc… exatamente como uma infância deve ser!

Para que isso aconteça, temos feito algumas pequenas coisas, que facilmente passam despercebidas por quem nos rodeia, mas que nós sabemos que vão fazer toda a diferença quando o dia D chegar (ou pelo menos, assim esperamos!)...

Uma delas, é precisamente relembrar a mais velha de que nem tudo é um mar de rosas com os bebés. Que sim, eles brincam, fazem companhia, são fofinhos, etc., mas que também choram, fazem asneiras, sujam-se imenso e tudo mais que nós já sabemos… Isto porque, como é natural, os mais velhos (principalmente os que foram até agora filhos únicos), têm uma tendência mais do que compreensível de pensar que os manos mais novos vão ser um amiguinho exactamente como os da escolinha, mas com o bónus de estarem sempre em nossa casa… E o que acontece depois deles nascerem? Vem a grande desilusão… Afinal, eles não sabem brincar, estão sempre a chorar, "não servem para nada", e ainda por cima, roubam a atenção dos papás, que sempre estiveram disponíveis para ele! E claro, lá vêm os famosos ciúmes e a revolta…

Aqui em casa, logo à partida, tentamos sempre que a pequena encare com grande felicidade e de uma forma extremamente positiva a chegada do seu mano e tudo aquilo que de bom isso traz, mas sempre com a consciência do que aí vem…

Em segundo lugar, tendo em consideração o cuidado anterior, tentamos sempre amenizar essas coisas menos boas dos bebés, procurando envolve-la nessas tarefas de uma forma divertida. Tornar as mudas de fralda como uma atividade gira e para todos, o dar de comer como uma atividade carinhosa e para todos, o pôr o bebé a dormir como uma rotina engraçada e para todos, etc., fazendo-a ver que mesmo as partes chatas de ter um bebé em nossa casa, são também coisas positivas!

E terceiro lugar, na sequência da anterior, é preciso desde logo fazê-los ver que se não quiserem fazer nada destas coisas, não faz mal… Que ela só ajuda a fazer estas coisas chatas e repetitivas se quiser. E se não quiser? Não faz mal nenhum!

Por fim, como não poderia deixar de ser, sempre que temos este tipo de conversa (e mesmo quando não temos…), relembramos que apesar de vir aí um mano e que ele vai ter um impacto grande na nossa vida e nas nossas rotinas, nós gostamos muito dela! E que isso nunca irá mudar, por mais bebés que cheguem cá a casa!

Resumindo, é sempre com esta sequência que procuramos preparar a mais velha para a chegada do seu tão esperado maninho…

Vem aí um bebé… e sim, é giro... mas dá muito trabalho… que todos vamos gostar muito de fazer… mas se a Dita não quiser, não o faz… e nós gostaremos na mesma muito da Dita!

Sempre fomos apologistas do respeito e diálogo com filhos. Sempre falámos abertamente sobre tudo que se passa e ainda mais sobre tudo o que se avizinha e sinceramente, acho que só isto já resolve muitos dos “problemas” que muitos pais se queixam em relação aos seus filhos… A vinda de um novo bebé, só vem reforçar esta necessidade!

Agora, é só fazer figas para que tal como em todas as outras coisas, todo este diálogo prévio, resulte!